quarta-feira, julho 07, 2010

[...] Adeus





Querido amigo...


Hoje pela manhã meu coração falhou mais uma vez e eu senti medo de partir. Dormi e acordei no fim da noite - cansada – logo depois o médico veio conversar comigo, eu não pude resisti e perguntei quanto tempo ainda tinha, ele me olhou - com aquela cara de quem precisa dar uma noticia ruim - respirou fundo e por fim disse que talvez uns três ou quatro dias, ou uma semana se eu tiver sorte. Sorte?
De alguma forma eu já sabia que não demoraria muito para o fim. Não chorei, mas o Dr. Flávio tentou me consolar dizendo que seria bom passar um tempo com a minha família, confesso Meu Amigo, que não me lembro de tudo que ele disse, não tive como prender minha atenção a ele, saber que vai morrer não é algo que se aceita tão rápido, na verdade você não aceita nunca, mas você sabe disso, eu tenho certeza.
Desculpe pela falta de talento com as palavras, mas sabe que nunca fui muito boa com elas, na verdade não sou boa nem com as pessoas, não sou simpática e cativante como meu irmão. Mas você é testemunha de que eu tentei, vivi tentando fazer o melhor que pude, mas talvez não tenha sido o bastante.
Hoje, estou usando o pequeno caderno que a minha mãe me deu há quase um mês, mas estou usando-o por dois motivos: o primeiro é que eu preciso desabafar de alguma maneira. E o segundo é que mesmo a carta sendo para você meu Deus, quem vai ficar com ela é a minha mãe. Eu sei e você também sabe.
Se despedir é algo tão difícil de fazer, você precisa deixar as pessoas que ama de repente. Estou doente a mais de um ano, no começo eu ainda tinha muita esperança e agora não tenho mais nada, acabou. Não há nada para ser feito em três dias, e não posso contar com a sorte, que nunca esteve ao meu lado. Tudo o que eu tenho agora é um coração que quase não pulsa e uma vontade de viver. Só vontade mesmo.
Sinto que ainda tenho tanto para aprender, para viver, mas algo me impede de continuar essa caminhada. Enquanto algumas pessoas acordam reclamando por ser mais um dia, outros assim como eu, acordam querendo apenas mais um dia. Mesmo depois de toda essa dor eu me sinto satisfeita, não sei por que, mas algo, lá no fundo da minha alma diz que precisa ser assim. E então será, pois não tenho forças para contestar nada. Eu vou e tudo que deixo é o meu adeus...






Anne.


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5 Lembrete(s):

Jaci Macedo disse...

As pessoas deviam parar mais para agradecer que estão vivas do que reclamar. Bonito e melancólico texto.
beijos, coração (:

Ferr disse...

Foda !
dá mesmo um choque pra pensar em aproveitar os dias qe ainda tem, nao disperdiçar ou ficar mal por ainda ter mtos pra viver . (:

Mariposa disse...

nossa muito bom seu texto
realmente devia acontecer mais isso
bonito o blog
beijos

Malú Azzoni disse...

Eu choraria taaaanto tentando escrever uma carta dessa.

Gostei muito do blog!
beeijos

Ariana disse...

Que lindo o texto e ao mesmo tempo muito triste!
A carta ficou perfeita, to sem palavras pra comentar tamanho sentimento!


bjos

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~ Clarice Lispector

 

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